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terça-feira, fevereiro 15, 2011

A Morte Branca

      Simo Häyhä nasceu na pequena localidade de Rautjärvi (posteriormente perdida para a URSS como espólio na Guerra de Inverno, e recuperada na Guerra de Continuação), no dia 17 de dezembro de 1905. 
Häyhä cresceu em campo, tentando sempre aprimorar suas habilidades naturais.
      Em 1925, ingressou no Exército Finlandês para um ano de serviço obrigatório, mostrando-se bastante apto para a vida militar e sendo promovido a Cabo. Mais tarde juntou-se à Guarda Civil Finlandesa (que é na verdade uma espécie de Guarda Nacional muito bem treinada), servindo no seu distrito natal, que ficava na perigosa zona de fronteira com a União Soviética.

      Quando Stalin ordenou a invasão da Finlândia em 30 de novembro de 1939, Häyhä foi chamado ao serviço ativo no Exército, sendo designado para a 6ª Companhia do 34º Regimento de Infantaria, que engajou os inimigos ao longo do rio Kollaa. Sob temperaturas de -20ºC a -40ºC, e enfrentando dois exércitos soviéticos com 160.000 homens, o pequeno contingente finlandês protagonizou o chamado “Milagre de Kollaa”, que culminou na famosa batalha da “Colina da Morte”, onde 32 finlandeses seguraram 4.000 soldados soviéticos. (FUCK YEAH! ASUHASUHAS)

      Häyhä utilizava o compacto rifle Mosin Nagan M28 de 7,62 mm, que ele dizia ser perfeito, já que tinha a pequena estatura de 1,60 m. E o mais impressionante: Häyhä usava miras de ferro em detrimento das telescópicas, pois dizia que as telescópicas quebravam e embaçavam no gelado inverno finlandês. Além disso, ele relatou que ao usar miras telescópicas (deram-lhe um Mauser telescópico em fevereiro de 1940, imediatamente devolvido), ele tinha que levantar a cabeça um pouco mais do que desejava, já que costumava posicionar-se sentado para atirar. Já que era pequeno, Häyhä conseguia ficar praticamente invisível dentro de um buraco quando sentado, dando-lhe uma plataforma de tiro bastante estável.
 

      Dessa forma, completamente camuflado de branco, Simo Häyhä tornou-se conhecido como “Valkoinen Kuolema”, ou “Morte Branca”, durante 100 dias no front de Kollaa, fulminando 542 soldados soviéticos com sua mira precisa, o que dá uma impressionante média de 5 mortes por dia, ou 1 morte por hora de luz no curto dia de inverno no Ártico. Ele também era um excelente atirador com a submetralhadora Suomi M-31, eliminando mais 200 soldados inimigos com essa arma.

      Todo esse sucesso não passou despercebido pelos russos, que tentaram diversas formas de se livrar dele, incluindo o uso de seus melhores snipers e ataques de artilharia. O melhor resultado que conseguiram foi despedaçar as costas de seu sobretudo com estilhaços, mas deixando Häyhä intocado.


      Contudo, a sorte de Häyhä acabaria em 6 de março de 1940, quando um sniper russo o atingiu com uma bala certeira, que explodiu sua face e ricocheteou para fora de sua cabeça. Mesmo aturdido com o ferimento que despedaçou sua mandíbula e sangrava copiosamente, Häyhä levantou-se, pegou seu rifle, e matou o atirador soviético que o atingira. Somente depois desmaiou com a hemorragia. Ele foi recolhido por amigos que disseram que “metade de sua cabeça estava faltando”.

      Häyhä somente recobrou a consciência em 13 de março, o dia em que terminou a Guerra de Inverno. Pouco depois da guerra o Comandante-em-Chefe finlandês, Marechal-de-Campo Carl Gustav Emil Mannerheim o promoveu diretamente de Cabo para Segundo-Tenente; esse tipo de promoção nunca foi repetida em toda a história militar da Finlândia. Häyhä submeteu-se a diversas cirurgias de reconstrução da mandíbula e bochecha, e passou anos em recuperação, não participando da Guerra de Continuação ou Guerra da Lapônia.


 

     Após a guerra, Häyhä tornou-se um excelente caçador de alces e criador de cães. Quando perguntado como tinha se tornado um atirador tão bom, ele simplesmente respondia: “Prática”. Ele também foi inquirido sobre algum possível arrependimento em ter matado tanta gente: “Eu simplesmente fiz o que me mandaram fazer, e fiz da melhor maneira possível”.

      Tido como uma pessoa adorável e simples, e um verdadeiro tesouro nacional, o maior sniper da história, Simo Häyhä, faleceu na pequena aldeia de Ruokolahti, perto da fronteira com a Rússia, aos 96 anos de idade, no dia 1 de abril de 2002.



Tirada do Sala de Guerra

Achei durante as procuras x)

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